Livro Nem se eu Quisesse gratuito!

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

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Legado do Dragão disponível

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Isso mesmo! Acho que nem preciso me explicar..rsrsrs

Vai ficar apenas 3 dias! Hoje, amanhã e domingo! Corram lá! :D





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Conto 32 - A Caçadora

sábado, 5 de outubro de 2019

 Mais um conto! Este foi para uma editora...:)  Está bem grande, né?




Conto 32-Entre a caça e os caçadores
autora: Vivianne Fair
Jessi e Zack



Quando minha mãe afirmou que meu trabalho seria fácil, eu acreditei nela. Estava na moda, eu poderia usar roupas incríveis o tempo todo, e meu salário, nossa! Daria inveja a qualquer concursado. Pois é, só que seguir a tradição da família não é tão fácil como assumir uma empresa quando os pais morrem ou coisa assim.
Definitivamente ser caçadora de vampiros não estava na minha lista de ‘o que eu quero ser quando crescer’ no jardim de infância.
Acha fashion, não é? Passou pela cabeça que pode ser perigoso? Nem todos são charmosos como o Edward de Crepúsculo ou sexys feito Lestat, de Entrevista com Vampiro. Alguns são mesmo sanguinários; Conde Drácula não estava para brincadeiras.
Nossa, onde estão meus modos? Desculpe; estou um pouco estressada já que estou aqui caçando Zack, o vampiro mais sexy, gato, irritante e gozador que já existiu e não consigo nem chegar perto dele. Sou Jéssica, a propósito. Ruiva, 29 anos, louca para arrumar um marido e estou aqui, bancando a adolescente para enganar a universidade. 
Ele se esconde, bancando o gato e o rato comigo. Gato, não tenho a menor dúvida. Eu o arrastaria para o altar se ele não se desintegrasse ao entrar na igreja. O pior é: ele sabe que sou amadora, os outros vampiros morrem de medo dele e, segundo o próprio Conselho – a organização que me contratou porque aparentemente meus pais são fantásticos caçadores de vampiros e acham que isso é passado para os genes –, Zack é forte demais pra mim e desejam agora a minha desistência.
Mas já gastei uma fortuna em roupas por conta e não posso me dar ao luxo de voltar para casa de mãos abanando.
– Oi, safadinha...
Gelei e deixei cair o spray de água benta ao ouvir aquela voz quase dentro do meu ouvido.
Esse apelido é revoltante. Quando ele invadiu meu quarto e descobriu toda a minha coleção de DVDs de Buffy, Angel, livros como Diários do Vampiro, Nosferatu, Crepúsculo e etc., cismou que caço vampiros porque sou tarada. Como se viver em perigo fosse um hobby doentio.
Quando tentei me agachar para pegar o frasco, ele segurou minha cintura e puxou-me para perto dele.
– Ganhei. Sou mais forte, mais rápido, mais esperto, mais...mais...
– Metido? Irritante? Convencido?
– Realista – ele beijou meus cabelos –, sedutor... divertido...
E perfeito, meu cérebro dizia. Mas era justamente esse o problema. Ah, e o fato de que eu deveria matá-lo. Bom, o Conselho nunca me disse quando. Também nem sei como, mas isso são detalhes. Não tenho coragem de jogar água benta e derreter esse rostinho lindo. Nem força para descer-lhe a estaca. E a última vez que tentei atacá-lo com alho, Zack teve uma crise de espirros hilária.
Ai meu Deus, estou muito ferrada.
– Então, Coringa, qual sua próxima armadilha? – ele provocou, sorrindo.
Suspirei. Já tentei convencê-lo que eu sou a mocinha, mas ele afirma que Batman só sai à noite, ama morcegos e vive de preto, o que me levou a pensar se Batman não seria um vampiro vegetariano do bem.
– Vou amarrá-lo no ponteiro de um relógio no alto de uma torre e deixá-lo deslizar suavemente para uma banheira de água benta enquanto um ratinho lentamente rói a corda que te amarra.
– Hum, isso pode levar a noite toda.
– Então o Sol te mata – dei de ombros –, mais fácil ainda.
– Eu tenho uma ideia melhor...
Ele me jogou no chão e deitou-se em cima de mim, apertando-me contra a grama.
Certo, querido, se você não me morder agora quem te morde sou eu!
– Eu não vou te morder, Jessi – ele murmurou como se adivinhando meus pensamentos, passeando os dedos pelos meus cabelos enquanto me mantinha segura pelo braço com a outra mão. – Você sabe que nem sempre mantenho o controle.
– É, nem eu.
– O que é mais difícil de controlar? Os vampiros ou seus hormônios?
– Ambos são páreo duro.
Enquanto eu lutava para não sair debaixo dos braços dele, algo afiado cortou a nossa conversa. Literalmente falando. Uma estaca cravou-se na árvore ao nosso lado, passando a centímetros do rosto de Zack.
Que desaforo! Zack é o vampiro que eu tenho que matar!
– Mas o que... – ele sibilou, pondo-se de pé.
Na hora em que me vi livre, praguejei e levantei, buscando meu frasco de água benta. Não para Zack, mas para o fura-olho que se intrometeu na nossa... conversa.
Foi então que senti a presença de outro vampiro. A presença surgia e voltava, como se estivesse correndo muito rápido. Ou num bungee jump.
Zack arregalou os olhos e sussurrou, tentando avistar por cima de meus ombros.
– Temos companhia... duas.
– Dois vampiros?
Ele fitou a estaca cravada no tronco com uma expressão de desdém.
– Não. Um é vampiro, e está muito ferido. O outro parece ter um poder estranho.
– Outro caçador! – murmurei alarmada, sabendo que caçadores de vampiro têm a vantagem de possuir o desenvolvimento de dons especiais.
Não considero meus dons especiais, mas ridículos: derreter metal, grito de mandrágora e teletransporte – esse seria bom se funcionasse quando eu quisesse. Quando estou nervosa as coisas somem – literalmente – e nunca sei para onde vão. Uma vez Zack sumiu e fiquei com medo de tê-lo mandado para o quinto dos infernos.
– Então tem outra galinha ciscando no meu terreiro... – murmurei, irritada.
Zack balançou a cabeça.
– Se continuar usando essas expressões do tempo da vovó, vão acabar descobrindo seu disfarce.
– Do tempo de que vovó? Da sua é que não é!
Nosso papo animado acabou sofrendo outra cortada. Desta vez uma flecha de madeira atravessou a estaca que antes estava travada na árvore, partindo-a em duas.
– Pontaria o cara tem – engasguei.
– Se tivesse mesmo teria me acertado. Mas acertar o próprio erro, essa foi fenomenal. Temos que nos preocupar com o vampiro.
– Você não disse que o cara está ferido? Não devíamos nos preocupar com o caçador saudável?
– Jessi, o vampiro perdeu muito sangue. Dá para sentir pelo cheiro. Isso quer dizer que ele vai estar desesperado por mais. Resumindo, o cara vai correr atrás de uma fonte fácil. O caçador com certeza não é. A rua está completamente deserta porque passa da meia-noite. Então...
– Então eu. Eu sou uma fonte fácil.
– Sempre foi – ele deu um sorriso animado. 
– Eu não quero mais brincar – apertei os dentes, para não deixá-los bater.
– Olha, prometo que quando isso acabar, vou te dar uma mordidinha hoje. De leve, tá?
Eu devia parecer ofendida, mas estava excitada e nervosa demais para poder transparecer qualquer outro tipo de emoção.
– Depois a gente conversa.
– Certo. Então você vai atrás do caçador e eu, atrás do vampiro. Qualquer problema, grite.
– Não tenha a menor dúvida.
Ele desapareceu como se fosse fumaça. Invejo muito essa habilidade que eles têm com essas saídas espetaculares. O máximo que consigo se correr muito rápido é quebrar meu salto novo.
Segurei firme meu spray de água benta e subitamente senti-me idiota. O caçador é vivo como eu. Não vai fazer efeito nenhum além de abençoá-lo.
Ajeitei minha saia e saí de perto da coitada da árvore, tentando manter o ritmo da respiração. O fato é que se ele é outro caçador do Conselho, nós somos companheiros de trabalho. Então podemos sair, falar mal do chefe – embora eu não saiba quem é – e tomar um cafezinho. Tudo sob controle.
Segui na direção de onde vieram as armas de madeira e avistei um vulto esconder-se por trás de um muro. Quando estava enchendo o peito para dar um grito e avisar “ei, sou amiga!”, uma nova estaca cruzou o espaço em minha direção, fazendo-me jogar o corpo na calçada. Então a primeira frase que saiu foi:
– EI, VOCÊ É IDIOTA?
De qualquer forma, surtiu efeito. O vulto esgueirou-se, andando lentamente para perto de mim, com uma besta apontada para minha cabeça. Para quem não sabe, besta é uma espécie de arma que dispara flechas, podendo também ser o tipo de pessoa que segura essa droga.        
– Quem é você? – a voz dele soou seca e fria.
– Sou uma caçadora de vampiros também, como você. Do Conselho. Quer abaixar esse troço?
Ele ergueu uma sobrancelha e desceu-a lentamente.
– Hum. Isso explica o cheiro de vampiro que está impregnado em você.
É, isso e o fato do vampiro em questão e eu termos dado uns amassos algumas horas antes.
Ele me ajudou a levantar. Era forte, cabelos castanhos escovados para trás e até que não era de se jogar fora. Vestia-se todo de preto, incluindo a jaqueta e a calça de couro. Um estilo meio exagerado, mas quem sou eu para discutir? Afinal combato vampiros usando salto. Prada.
– Pensei ter avistado... bem, não pode ser. Você já estaria morta.
– Q... quem?
– Bem, é um vampiro famoso. Você não o conheceria.
Arrogante. Ninguém é perfeito.
Só Zack.
– Zack.
– Hum? – assustei-me, achando que ele tivesse lido meus pensamentos.
– Esse é o nome do vampiro famoso. Mas o Conselho não deixa ninguém matá-lo. É perigoso demais. Se eu conseguisse, seria uma lenda.
Zack, perigoso? Só se for para as mulheres mesmo. Qualquer uma cai aos pés dele. Acho sinceramente que o chefe do Conselho é uma mulher que está na verdade querendo se vingar por ele ter lhe dado um fora. Mas se o chefe do Conselho for homem, é inveja grossa, totalmente justificável.
Foi então que algo estalou dentro de mim. Aquele cara estava caçando um vampiro ferido, esgueirando-se por aí, com Zack ao seu encalço. Se o caçador avistasse Zack, mudaria de alvo na mesma hora. Aah, não, de forma alguma. Não divido minha caça com ninguém.
– Bem, então... que acha da gente tomar um café, senhor...
– Blade.
Arrogante e convencido. Blade é um personagem caçador do qual esse aí não chegaria aos pés nem se passasse férias com o Rambo.
– Certo senhor Blade, que acha da gente tomar um café lá na universidade e descansar um pouquinho? Andei caçando também e estou um caco!
Ele me olhou como se eu tivesse acabado de arrancar as orelhas de um coelhinho com os dentes.
– Está louca? Nunca antes de terminar o serviço! Vampiros se recuperam depressa, você sabe.
Por incrível que pareça, sei coisas mais interessantes. Eles ficam lindos sem camisa, por exemplo. Tem delineador natural. Os olhos refletem a luz da lua de maneiras diferentes quando...
Ei, onde está o caçador?
Torci o pescoço para vê-lo pular um muro alto, dando um salto apenas. Que tipo de poderes aquele cara tinha? Como poderia avisar Zack sem que o cara me visse ou o visse?
Só havia uma maneira.
Mandando mensagem no celular. Que ótimo caçar um vampiro que acha a tecnologia divertida.
“Zack, o caçador se chama Blade e acabou de sumir de vista. Não quis tomar café comigo”
Digitei, tropeçando nas teclas e sentindo o suor descer gelado pelas minhas costas. A mensagem de resposta chegou segundos depois.
“Foi só isso que você descobriu? Caramba, Jéssica, o Conselho te contratou pelo quê? Tem certeza que leu as cláusulas do contrato direito? Abaixa!”
Ergui uma sobrancelha, irritada – até por celular esse vampiro me zoa – e apesar de estranhar a sutileza da mensagem, ajoelhei no chão, sentindo um golpe de ar passar pelos meus cabelos no momento exato em que agachei. O vampiro ferido passou a toda por cima de mim, sendo seguido por Zack.
– Jessi, você não deveria estar fazendo algo de útil?
Ele riu e pulou por cima de mim, jogando terra na minha roupa nova. Levantei-me praguejando e fechei os olhos para me concentrar.
A vantagem de ter pais caçadores é que a genética funciona bem, obrigada. Os poderes, apesar de serem imbecis, são por vezes úteis. Senti uma onda de poder emanar de dois pontos distintos. Uma forte se distanciando e uma mais fraca seguindo perto do muro. A mais fraca só podia ser do caçador, já que Zack é uma fonte ambulante de força – opa, calma hormônios – então segui para o leste, esperando interceptar o tal Blade.
  Depois de uns bons dez minutos, torcendo no meu íntimo para que Zack já tivesse dado cabo do vampiro, passei por um buraco no muro e já estava pronta para gritar “parado aí” e receber uma estaca bem no meio da testa quando recebi uma nova mensagem do celular.
“Onde você está?”
 Ergui a sobrancelha. Como meu vampiro muda rápido de ideia.
“Seguindo o caçador; não foi o que combinamos? Pegou o vampiro?”
Segundos depois, recebi a resposta.
“Mudança de planos. Vire à esquerda e siga em frente. Te encontro perto da casa na esquina.”
Metido. Por que eu tenho que ficar seguindo as orientações dele se, na verdade, ele devia temer a mim?
Porque este é o mundo real, Jéssica. 
Obedeci à mensagem e segui rumo à única casa que parecia saída de um filme estilo “Jogos Mortais”. Era escura, sinistra e deserta. Se eu não estivesse indo encontrar o homem mais lindo do mundo, estaria apavorada a esta altura.
– Psst!
Virei para o lado de onde estava saindo a voz e me deparei com Zack, parecendo mortalmente ferido.
– ZACK!!
Agachei-me ao lado dele, tentando observar melhor o tamanho do estrago. Era uma cavidade do tamanho de uma palma da mão no ombro, por onde escorria quase um rio de sangue.
– Minha nossa! Você não disse que esse vampiro seria mole de matar? Você já eliminou uma dezena deles; qual foi o problema em acabar com um que já estava semimorto? Certo, morto, mas quero dizer mortalmente ferido... ou imortalmente ferido? Esse jogo de palavras me cansa!
Ele levantou os olhos fracos para mim e senti um aperto no peito. Claro que qualquer um pensaria “olha que oportunidade você tem para matá-lo!”, mas ele ainda tem um belo par de olhos. 
– Acho que o subestimei... – a voz dele saía quase num fio. – Preciso do seu sangue...
Gelei. Zack sempre me dava mordidinhas, mas evitava tomar meu sangue de verdade porque dizia que talvez não fosse capaz de parar, principalmente depois de já ter experimentado uma vez. Mas e agora que se sentia tão fraco? Não era seu costume arriscar-se ou me arriscar dessa forma. E se o Conselho descobrisse (digamos, caso eu não morresse nessa brincadeira?) eu estaria suspensa, ou pior, despedida!
– Acha que é mesmo necessário? Quer dizer, você não pode estancar o sangue e esperar um pouquinho pela recuperação absurda que vocês têm?
Ele gemeu e ergueu-se, suspendendo-me firme pelos ombros.
– Não há tempo! Os dois estão atrás de mim!
Ele abraçou-me com intensidade e, antes de esperar pela minha resposta, cravou os dentes em meu pescoço. O ar faltou, assim como minha falta de determinação. Eu estava completamente entregue, como da última vez. Mas desta vez não foi como antes; ele me apertava com sofreguidão, sugando meu sangue como se fosse algo que havia esperado muito tempo. A maravilhosa sensação que tive antes, aquele êxtase presente na mordida dos vampiros, começou a esvair-se rápido. Não consegui empurrá-lo, mas estava começando a sentir fraqueza em minhas pernas. Meu frasco de água benta caiu das minhas mãos e tudo começou a rodar.
O que estava acontecendo? Zack já não se importava comigo para resolver eliminar-me para salvar sua vida? Eu não ia durar mais que alguns minutos, mas não consegui empurrá-lo. Minhas pernas começaram a falhar e ele me segurou firme, sem um instante sequer tirar os dentes da cavidade do meu pescoço.
Quando eu mal podia manter meus olhos abertos, vi dois Zacks me encarando. Na verdade, um tinha os olhos fechados, enquanto me secava, o outro tinha os olhos arregalados, com uma expressão de pavor na fronte linda. Este se agachou ao meu lado e em seguida escutei um grito e um chiado, ao mesmo tempo em que estava caindo ao chão. Senti um braço firme me segurar enquanto o rosto lindo do Zack que estava sugando meu sangue, começou a derreter se contorcendo num grito de uma criatura grotesca. De repente não era mais Zack, mas um ser que já estava deformado, loiro, olhos castanhos, magro.
– Caramba, safadinha – Zack falou, quase com um sussurro –, você costumava ser mais cuidadosa. Nunca consegue resistir ao meu rosto lindo, mesmo que não seja propriamente o meu?
Senti minha força voltar aos poucos e cambaleei nos braços dele, tentando firmar-me de pé. O que me atacara antes já não era mais Zack, mas pude perceber que era o vampiro que Zack estava perseguindo se desfazendo no chão, enquanto Zack continuava a apertar o spray de água benta para mantê-lo afastado.
– Como... Como ele sabia meu nome? – murmurei incrédula, sentindo-me idiota por ter sido enganada pelo poder de ilusão vampiresca.
– Ele disse seu nome?
– .... Hum, não – senti-me mais idiota ainda. – E por que você me mandou mensagem no celular pedindo para te encontrar aqui?
– Aah, isso me lembra o outro poder que esse vampiro tem.
Ele agachou-se e remexeu o bolso do cara, enquanto esse se desfazia, puxando de lá um celular.
– Dedos leves.
– E eu que não tomo cuidado com as minhas coisas, né? Como ele descobriu meu número? Você escreveu “safadinha - caçadora de vampiros” no meu número para ele supor que era eu?
– Na verdade sim. E segundo, ele deve ter ficado curioso ao me ver digitando mensagens enquanto corria atrás dele.
– Nem todo mundo consegue fazer essas coisas. Gente é atropelada. Pessoas são multadas quando usam o celular dirigindo.
Zack me abraçou forte e suspirou.
– Você só se mete em encrenca, nunca vi. Primeiro recebe a incumbência de matar o vampiro mais poderoso do mundo, ou seja, eu, depois é enganada por qualquer rostinho lindo.
Nem me dei ao trabalho de responder. Nunca tenho argumentos suficientes.
O vampiro que Zack seguia se desfez em cinzas. Subitamente uma estaca afiada passou por nós raspando, mas desta vez deixando um rastro sangrento no ombro de Zack antes de fincar-se na árvore à nossa frente. Meu vampiro deu um gemido agudo e jogou-se no chão, segurando a ferida com força. O caçador estava vindo, correndo para ver se havia acertado a presa. Eu não sabia o que fazer, mas percebia que não tinha mais como proteger Zack. Assim que o caçador o visse estaria tentado a eliminá-lo a qualquer custo. Então abaixei ao seu lado e imaginei Zack bem longe dali. Um lugar onde pudesse estar em segurança. Apertei seu braço e ele desapareceu. Meu poder funcionara certinho desta vez, mas tenho medo para onde posso tê-lo mandado.
– Onde ele está? Eu o acertei? – o caçador chegou sôfrego, com olhos arregalados.
– Sim, acertou! – eu respondi, sorrindo animada e apontei. – Foi bem a tempo, veja as cinzas!
Ele sorriu orgulhoso e então ergueu uma sobrancelha. A trajetória da estaca não coincidia com o lugar onde as cinzas do vampiro estavam posicionadas.
– Mas como...?
Dei de ombros.
– Você sabe... esses caras são cheios de truques.
O caçador assentiu.
– Bem, pensei ter avistado Zack novamente, mas só pode ter sido uma ilusão. Você estaria morta a esta altura.
Nossa, ele não poderia estar mais certo e mais errado ao mesmo tempo.
– Bem, recebi uma nova mensagem do Conselho. Preciso ir. Você ficará bem sozinha?
– Claro, oras. Sou caçadora, esqueceu?
Ele me olhou de cima a baixo, me analisando.
– Não, não esqueci. Por isso eu perguntei.
Antes de eu entender para poder retrucar, ele deu-me as costas e afastou-se. Com um sorriso sem graça – porque caçadores não têm o hábito de sorrir – acenou e seguiu seu caminho. Eu o acompanhei com o olhar, com um sorriso também amarelo e esperando o cara sumir de vista.
– Ai, meu Deus... – murmurei, preocupada – e agora, como acho o Zack?
– Em cima da árvore – veio a voz sexy dele, parecendo estar segurando a risada.
– Eu te mandei só pra cima da árvore? – eu arregalei os olhos e comecei a escalá-la, tentando não rasgar minha meia calça. Zack estava deitado em um galho longo e largo, segurando o ombro com uma das mãos. Ainda bem que a árvore era daquele tipo frondoso, porque se o caçador tivesse percebido sua presença... deve ter confundido com a presença do vampiro anterior.
– Por que te mandei só aqui pra cima? Eu costumava te mandar pra mais longe!
– Sem dúvida. Para o “raio que te parta”, para “o quinto dos infernos”... outros lugares que prefiro não dizer o nome... entretanto, você perdeu muito sangue e seu poder enfraqueceu. Mas deu tudo certo – ele tirou a mão do ombro, onde a ferida já começava a cicatrizar e sorriu –, ainda tem sangue. Quer dar uma lambidinha e virar vampira? Sua última chance!
– ECA.
Ele sorriu.
– Sabia que diria isso.
Eu me aconcheguei ao lado dele e Zack me abraçou forte, suspirando. Depois de alguns momentos em silêncio, Zack murmurou.
– Então o nome do cara era Blade?
– Sim.
– Cara, que pretensão!
Eu sorri animada.
– E não é?

Vivianne Fair


Pobre Jessi....rsrsrs

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Conto 31 - A Caçadora

sábado, 28 de setembro de 2019

Fazia tempo que eu não postava contos, né? hehehe
Desculpa, gente! rsrs



Conto 31- Aventura no Rio!
autora: Vivianne Fair
Jessi e Zack conto da trilogia A Caçadora

Sempre sonhei em viajar para o Rio de Janeiro! Passei o ano inteiro aprendendo português e mal posso esperar para usá-lo!
Zack não precisou aprender, é claro. Segundo ele, o vampiro já sabe todas as línguas do planeta.
Incluindo as mortas. Quando o chamei de mentiroso, ele passou o dia todo falando comigo em mandarim.
Ao menos acho que é mandarim.
Ou então inventou uma língua só pra me sacanear.
Não é tão ruim viajar com Zack, sabe. Mesmo eu sendo a caçadora dele e ele meu vampiro – supostamente vítima, mas que não tem um pingo de medo de mim por eu ser completamente incompetente – até que muito raramente ele consegue ser uma companhia agradável. Isso quando não pula dentro do avião dizendo que está testando pra ver se é seguro. Quando resmungo dizendo que ele estava me matando de vergonha, ele finaliza dizendo que se meu peso não derrubava o avião, nada poderia.
Pensando bem, é ruim viajar com ele sim.
– Vamos, Jessi, anime-se! – ele sorriu me dando um abraço de leve enquanto esperávamos a bagagem na esteira – Já chegamos no Rio!
– Eu gostaria de estar animada – retruquei abrindo a boca num bocejo incontrolável – mas é terrível só poder viajar à noite porque você não pode ficar exposto ao sol.
– São os problemas de ser um vampiro boa pinta.
– Edward Cullen consegue – sorri de leve ao mencionar Crepúsculo.
– Desculpe, eu quis dizer um vampiro decente.
– Questão de opinião – resmunguei resolvendo ignorá-lo.
Por sorte as malas não demoraram muito, mas eu já estava um pouco aflita. Já passava da meia noite e o aeroporto estava ficando vazio.
– Vamos logo, Zack. Chame um taxi.
– Imagine! Vamos de ônibus! Faz tempo que não ando em um!
– Ônibus? À meia noite? No Rio? Você tem problemas? ­ – revirei os olhos em seguida – Ah, pergunta idiota. Não, Zack, desta vez vamos fazer como EU digo. Vamos de taxi.
Ele deu de ombros.
– Vamos parecer turistas.
– Eu AMO ser turista. Eu vivo pra isso. Agora pegue a droga da bagagem.
Admito que meu humor não estava bom. E a piadinha sobre o meu peso no avião contribuiu para a minha irritação. E a chuva de comissárias de bordo vindo o tempo todo atrás de Zack para ver se ele estava bem ou precisava de alguma coisa me deixou pior.
Sem contar que ele apertava aquela droga de botão para chamá-las o tempo todo e reclamar de mim.
Zack parou um taxi e colocou nossas bagagens no porta-malas. Sentei-me confortavelmente no banco de trás e suspirei. Estava no Rio. Sempre foi meu sonho ir para lá. Nada poderia estragar essa viagem agora, nem piadinhas sobre meu peso – que estava bom, aliás. Havia feito uma dieta daquelas para poder usar um biquini lindo feito os das brasileiras.
– Pra onde?
Dei um papel ao motorista com o endereço do hotel.
– Copacabana Palace, hein? Hotel bom esse. ‘Ces são turistas?
– A Jessi ama ser turista, moço. Ninguém é mais turista do que ela.
Revirei os olhos.
– Conhecemos um pouquinho daqui – respondi, torcendo para que o taxista não pensasse que éramos dois perdidos.
– Conhecemos só dos mapas – retrucou Zack – Jessi não sabe nada daqui. Se o senhor a largasse aqui, ela jamais voltaria para casa.
Bati a mão na testa torcendo para que o taxista fosse honesto. Eu não sei se Zack faz isso porque gosta ou porque é tapado. Bom, ele tem mais de 800 anos de experiência.
Faz porque gosta.
Éramos dois perdidos mesmo.
O homem nos largou no hotel – graças a Deus – rapidinho. Ainda mais depois que Zack ficou discursando se o sangue dos brasileiros teria um sabor diferente. Enquanto meu vampiro fazia o check in, fui para o quarto, tomei um banho rápido enquanto ele não chegava e deitei na cama. Zack abriu a porta me dando um tremendo susto.
– O que raios você está fazendo aqui?
– Ué...o homem perguntou se éramos um casal e eu disse que sim. Não somos? Não é essa a definição hoje em dia?
Enrubesci um pouco. Não podia deixá-lo perceber.
– Não somos um casal. Sou sua caçadora. Você, o vampiro que tenho que matar. Estamos viajando juntos porque você arruinou meu vestido novo e colocou fogo nos meus livros do Crepúsculo outra vez e pra compensar você pagou essa viagem para o Rio.
– E isso não dá a entender que somos um casal?
– Não!
– Então vou lá fora paquerar no bar.
– Aí eu te mato de verdade.
– Safadinha, decida-se.
– Vá caçar um banco de sangue e me deixe quieta.
– Ok, ok. Mas vai ser culpa sua se eu matar alguém.
– Você não vai matar ninguém porque não é idiota. Digo, é sim, mas não a esse ponto.
– Está certo! Volto quando amanhecer!
Não lembro da resposta que dei, porque simplesmente apaguei. Sei que devia me preocupar com o que quer que Zack fosse fazer lá fora, mas estava cansada demais para ligar.
No dia seguinte, vi Zack deitado ao meu lado na cama e senti um arrepio. Por sorte ele lembrou-se de fechar as cortinas. Não queria acordar com churrasquinho de vampiro gato ao meu lado.
Bom, a desvantagem de se relacionar com um vampiro...aham, quero dizer, de ser “amiga” de um significava que você só poderia sair à noite mesmo. Então aproveitei para dormir mais duas horas – os únicos momentos em que ele não tentava me seduzir ou tirar uma com a minha cara era de dia – e depois aproveitei um tempinho na piscina do hotel, saí para fazer compras no Barra Shopping e gastar mais um pouco do dinheiro do Conselho – me sinto uma bandida – e jantei cedo. Também dei uma volta no Calçadão da praia de Ipanema enquanto aproveitava a calmaria. Não foi surpresa para mim quando cheguei no quarto às 18h e Zack estava lá feliz da vida.
– E aí, Jessi? Pronta para o passeio?
– Bem, tudo bem – eu já esperava – Estou louca para conhecer o Corcovado! Vamos?
Ele torceu os lábios.
– O que foi? – perguntei, apreensiva – Você não tem vontade de conhecer o ponto turístico mais famoso do Rio?
– Vontade eu tenho, mas... se uma cruz pequena me causa queimadura, fico imaginando o que um Cristo de trinta metros pode fazer.
– Ai, você tem razão. E que tal o Pão-de-Açúcar? Sempre quis conhecer também!
– E eles abrem a essa hora? Ou quer tentar meu modo tradicional?
– Não vamos arrombar nada. Esquece. Mudei de ideia.
E ficar presa em um bonde com Zack a quase 400 metros de altura não me parecia muito com um piquenique. Não era sempre que ele queria trocar alguns beijinhos. Às vezes só queria me enlouquecer.
– Tive uma ideia – ele propôs – conheci um cara bem legal ontem que disse que podia nos levar para um lugar bem divertido. Disse que era um baile! Há quanto tempo não vou em um? Uns 300 ou 400 anos talvez?
– Hum... onde exatamente você o conheceu?
– Ora, Jessi, andei por tantos lugares diferentes. Como quer que eu me lembre? Nem conheço bem o Rio. A última vez que vim aqui só tinha índio e português. Faz o quê? Uns 600 anos? Sou péssimo em história.
– Bem, está certo. Vou me arrumar.
Tomei um banho quente, coloquei meu vestido mais charmoso – um veludo vermelho e saltos para combinar e brincos chamativos. Minha primeira noite – pra valer – no Rio! Estava louca para conhecer aquelas boates – embora eu não fosse muito fã delas, na verdade – ou um barzinho para dançar com Zack. Chega de ficar presa naquela universidade na Pensilvânia.
Zack chamou um taxi e, quando entramos, ele entregou o endereço para o motorista.
O homem olhou para o papel por alguns segundos, depois arregalou os olhos e virou-se para trás, olhando diretamente para mim.
– Vocês tem certeza de que querem ir para lá? A essa hora da noite? Com esses trajes, moça?
– Hum, não sei – repeti a pergunta para Zack – Queremos?
– Fica frio, motorista! – disse ele, achando que estava arrasando na gíria – Eu tomo conta da moça.
O homem ainda nos olhou meio torto, deu de ombros e nos guiou por apenas uma rua.
– Ué...é perto?
– Moça, é uma comunidade próxima do hotel, é só subir a ladeira principal, mas eu vou deixá-los na porta e ir embora, ok? Não quero confusão ‘pro meu lado e esse cara aí me parece que é só confusão.
– Falou e disse – suspirei.
– Que injustiça – ele sorriu, olhando para fora.
Quando o carro parou, respirei fundo e desci. O motorista arrancou com o carro e seguiu à toda pela rua, desaparecendo como fumaça ao dobrar a esquina. Olhei ao redor. Escutei algo que parecia com música, mas Zack torceu o nariz.
– Que lugar é esse, Zack?
– Então...era pra ser um baile. Mas acho que alguém tomou a orquestra! Precisamos ajudá-los!
– Hum... Zack.
– Tem um cara gritando coisas em um microfone...deve ser algum tipo de assalto!
– É, Zack, me escuta...
– Vamos lá! – ele correu para o que parecia um galpão, de onde saía a música.
Dei um sorriso. Eu já tinha ouvido falar desses bailes e, mesmo que não fosse minha praia, gostaria de ver a reação de Zack em um baile desses.
Um baile Funk.
O barulho era realmente alto. Uma fumaça densa tomava conta e eu podia ver drogas por todo o lugar. As mulheres usavam roupas extremamente sedutoras e me senti uma vovó. Elas olharam loucamente para Zack, enquanto eu podia ver o meu vampiro ficar mais pálido do que de costume. Os homens também o notaram – mas não a mim – e, de qualquer forma, não pareciam muito felizes com a chegada dele.
Claro, lindo e bem vestido, além de ter AQUELA cara de gringo pálido daquele jeito. Fiquei preocupada quando alguns colocaram as mãos na cintura. Mas enlouqueci mesmo quando vi aquelas assanhadas se esfregando no vampiro.
Epa, aí não vai rolar.
– Com licença, com licença... – disse, enquanto empurrava algumas sem-vergonha pelo caminho.
– Jessi, que raio de baile é esse? Por que esse cheiro? E onde está a música?
– Essa é a música, Zack. Chama-se funk.
– Mas... elas precisam se vestir desse jeito?
– É melhor irmos embora, Zack!
Puxei-o, enquanto algumas davam arranhadas no meu rosto e me chamavam com uns apelidos que jamais ouvi falar: “Falsiane”, “piriguete”, e, outras quando me viram puxando Zack, ainda me disseram: “Miguxa, você divou!”  
Vou manter tudo em minha mente para procurar no Google. Vai que tem alguma que posso usar na Pensilvânia.
Quando saí do baile funk, puxei Zack pelo braço já chamando um uber. Graças a Deus tinha um chegando enquanto eu corria com ele até a esquina.
Entrei apavorada no carro, com Zack ainda chocado sem comentários sarcásticos para fazer.
– Parece que vocês até entraram numa roubada, moça.
– A...acho que sim. A noite está meio arruinada.
– Bom, se quiser posso sugerir algo para vocês.
– Algo calmo, moço? Tipo poder sentar e não pensar em nada? – resmunguei, mas ainda cheia de esperanças.
O homem olhou para trás para mim e para Zack. Avaliou-nos por um tempo e sorriu.
– A julgar pela pose do moço aí, acho que vocês vão gostar da minha sugestão.
Ele não disse mais nada, apenas seguiu com o carro e eu torcendo para que ele não fosse até o Corcovado e matasse meu amigo vampiro de vez.
No entanto, após rodar por um tempo, parou na frente de um teatro.  O letreiro dizia em cores neon: “Vamp, o musical.”
Dei de ombros. Parecia legal. Por que não?
Zack já parecia mais calmo. Recomeçou a gracinha quando chegou no caixa e exigiu ingressos grátis porque era a família dele em cartaz. O homem retrucou que todo mundo ali também usou dentes falsos para assistir a peça. Segurei Zack antes que ele mordesse o homem para provar que eram de verdade.
O musical foi o máximo. Zack ria muito, ainda mais com um ator, cujo nome era Ney Latorraca, que interpretava Vlad, e a sua "adorável" vamp-mãe Madracula.
Dei 5 estrelinhas para o moço do Uber.
Na saída, tudo o que eu queria era uma cama. Dei um pulo no banheiro enquanto Zack ia lá fora chamar o Uber por conta do sinal do celular. Quando cheguei, o vi cercado de uns caras estranhos.
Mau sinal.
Do celular também.
Abaixei a cabeça enquanto notava que as pessoas já saíam apressadas do teatro. Atrasamos porque Zack fez questão de conhecer todos os atores e conferir se nenhum realmente era vampiro. Ele ficou insistindo na Cláudia Ohana, mas acabou aceitando o fato de que era o único. 
Os homens me fitaram com caras mal-encaradas e um ainda deu uma cotovelada para o outro e apontou para minha bolsa.
– Oi, Jessi! Deixa eu te apresentar: esse é o Prego, esse o Peixe e esse aqui é o Boitatá. Eles disseram que vão arrumar umas das boas para a gente.
– “Umas das boas?” Você é louco? Eles estão falando de drogas!
– Sério? Achei que era birita. Você que é chegada numa cachaça...
– EU GOSTO DE VINHO, SEU LUNÁ...
Não terminei minha frase. Estávamos cercados por mais alguns tipos bem esquisitos em poucos minutos.
– Ora, não é que o playboy veio mesmo, Mané? – um homem mais alto com barba por fazer aproximou-se mais.
– Veio sim, Picareta. E acompanhado de uma madame.
– E aí, pessoal? Já conheci esses amigos aqui. Moram todos no mesmo lugar? Isso aqui é algum tipo de festa? Espero que seja melhor do que o tal baile funk – disse Zack, todo animado.
– Eu vou quebrar a sua cara, Zack – sussurrei para o vampiro.
– Calma, moça, que violência – riu um deles para mim.
– Escuta, não queremos confusão – tentei conversar, mas tremia mais do que vara verde no meio de um furacão – já estamos indo.
– Mas e a festa? – perguntou Zack, inocentemente.
– É, e a festa? – riram os outros três. Agora quatro. Um chegou fumando algo que tinha um cheiro terrível.
– Podem fazer a festa sem mim. Sério. Estou com dor de cabeça.
– Tudo bem, tia. Pode deixar a bolsa comigo e ir pra casa.
– Ah, vocês não conhecem a Jessi – Zack bancou o esperto – ela não se separa da bolsa por nada.
Segurei Zack pelo colarinho da camisa.
– Você não sabe em quantas partes eu vou te quebrar, vampiro de uma figa. Não me importa se você só morre com estacas, cortando cabeça ou com a luz do sol. Eu vou te partir em mil pedaços e espalhar cada um pelos pontos turísticos do Rio! Pode apostar que vai ter um no alto do Corcovado!!
– Mas Jessi – ele piscou para mim – você não disse que veio em busca de diversão e adrenalina aqui no Rio?
– NOSSAS VISÕES SOBRE DIVERSÃO E ADRENALINA SÃO MUITO DIFERENTES, ZACK!
– Já chega de papo – gritou um cara de olhos vermelhos – Vão passando a grana, gringos!
Escondi-me atrás de Zack. A única pessoa que corria risco de morrer mesmo era eu. Ele sorriu, afagando minha cabeça e deixou que seus dentes de vampiro aparecessem.
– Seu idiota – sussurrei – você sabe que não pode mais sugar o sangue das pessoas ou corre o risco de enlouquecer outra vez! No que estava pensando?
– Em te zoar – ele confessou – mas a brincadeira foi longe demais. Não pensei que poderiam estar armados. Bem, na verdade eu pensei, mas esqueci que podiam te atingir sem querer.
– Sem querer? Ai, você tem problemas sérios mesmo, Zack. 
– Olha só, pessoal, o cara aí viu a peça e agora pensa que é um deles!
Menos mal. Eles achavam que Zack era só mais um fã e desconheciam os poderes dele. Ainda tínhamos uma chance.
Eles nos cercaram. Logo avistei mais seis descendo a rua. Alguns tinham fuzis.
Pessoal bem equipado, hein? Melhor que a gente no Conselho.
Se bem que fuzis não servem para matar vampiros, mas ainda assim.
Fechei os olhos enquanto percebia que os ombros de Zack ficavam mais tensos à medida que eles se aproximavam. Subitamente, escutamos tiros e temi pelo pior.
Entretanto, os tiros vieram da rua acima e vários homens gritando apareceram, com lanternas e cacetetes, fuzis e outras armas. Zack se virou pronto para atacar, mas escondeu os dentes assim que percebeu que não se tratava de bandidos, mas policiais. Respirei aliviada até perceber que eles também pensavam que éramos da gangue.
Alooo? Ninguém percebeu meu vestido chiquérrimo não? Que absurdo!   
– Mãos na cabeça todo mundo!
Zack sussurrou algo em meu ouvido, mas não entendi. Até perceber que ele estava falando em inglês. Não entendi, mas o imitei.
Os policiais se entreolharam.
– São gringos – o de bigode comentou – provavelmente nem sabem o que fazem aqui.
– Deixem-nos ir – disse o que parecia ter uma patente mais alta – não vamos querer confusão com a embaixada.
Eles nos sinalizaram para sair e o fizemos, enquanto segundos depois ouvimos disparos de tiros. Zack me colocou em suas costas e saímos em alta velocidade – só para um vampiro mesmo – pulando de muro em muro.
O que, no uber, levamos horas para chegar, nas costas de Zack levamos apenas alguns minutos.
– Pronto! Sã e salva!
– Por que raios você fez isso, seu idiota? – gritei enquanto o socava no braço, mesmo sabendo que ele não ia sentir nada – A noite estava perfeita até você bancar o imbecil!
– Idiota, imbecil...você viu que aqui o povo usa uns xingamentos mais legais? Hein, falsiane?
– Do que você me chamou?
– Ih, abafa o caso!
– O... o quê?  Como você consegue aprender gírias tão rápido?
–  Já é!
– Já é o quê? Está me deixando louca! Vamos mudar de assunto? Que tal irmos para o quarto e cada um tomar um banho e irmos dormir?
– Abalou Bangu!
– Eu vou dar na sua cara!
– Caô!
Gritei de raiva e me dirigi para o quarto depois de passar pela recepção.
Havia um banquete me esperando ali na mesa. Uma tal de feijoada. Cheiro maravilhoso. Zack chegou instantes depois.
– Zack... o que...
– Achei que ia estar com fome. Gostou?
– Eu... eu amei! Sempre quis provar essa comida típica! Mas já é quase uma da manhã...você acha que é pesada?
– Ah, que isso...é só carne e arroz com um pouco de caldo...tenho certeza de que amanhã você vai estar nova em folha!
No dia seguinte acordei pior do que de ressaca.
Mandei Zack RALAR PEITO!
Vivianne Fair     



Hehehe! O que é um pouco de aventura? XD


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