Conto 32 - A Caçadora

sábado, 5 de outubro de 2019

 Mais um conto! Este foi para uma editora...:)  Está bem grande, né?




Conto 32-Entre a caça e os caçadores
autora: Vivianne Fair
Jessi e Zack



Quando minha mãe afirmou que meu trabalho seria fácil, eu acreditei nela. Estava na moda, eu poderia usar roupas incríveis o tempo todo, e meu salário, nossa! Daria inveja a qualquer concursado. Pois é, só que seguir a tradição da família não é tão fácil como assumir uma empresa quando os pais morrem ou coisa assim.
Definitivamente ser caçadora de vampiros não estava na minha lista de ‘o que eu quero ser quando crescer’ no jardim de infância.
Acha fashion, não é? Passou pela cabeça que pode ser perigoso? Nem todos são charmosos como o Edward de Crepúsculo ou sexys feito Lestat, de Entrevista com Vampiro. Alguns são mesmo sanguinários; Conde Drácula não estava para brincadeiras.
Nossa, onde estão meus modos? Desculpe; estou um pouco estressada já que estou aqui caçando Zack, o vampiro mais sexy, gato, irritante e gozador que já existiu e não consigo nem chegar perto dele. Sou Jéssica, a propósito. Ruiva, 29 anos, louca para arrumar um marido e estou aqui, bancando a adolescente para enganar a universidade. 
Ele se esconde, bancando o gato e o rato comigo. Gato, não tenho a menor dúvida. Eu o arrastaria para o altar se ele não se desintegrasse ao entrar na igreja. O pior é: ele sabe que sou amadora, os outros vampiros morrem de medo dele e, segundo o próprio Conselho – a organização que me contratou porque aparentemente meus pais são fantásticos caçadores de vampiros e acham que isso é passado para os genes –, Zack é forte demais pra mim e desejam agora a minha desistência.
Mas já gastei uma fortuna em roupas por conta e não posso me dar ao luxo de voltar para casa de mãos abanando.
– Oi, safadinha...
Gelei e deixei cair o spray de água benta ao ouvir aquela voz quase dentro do meu ouvido.
Esse apelido é revoltante. Quando ele invadiu meu quarto e descobriu toda a minha coleção de DVDs de Buffy, Angel, livros como Diários do Vampiro, Nosferatu, Crepúsculo e etc., cismou que caço vampiros porque sou tarada. Como se viver em perigo fosse um hobby doentio.
Quando tentei me agachar para pegar o frasco, ele segurou minha cintura e puxou-me para perto dele.
– Ganhei. Sou mais forte, mais rápido, mais esperto, mais...mais...
– Metido? Irritante? Convencido?
– Realista – ele beijou meus cabelos –, sedutor... divertido...
E perfeito, meu cérebro dizia. Mas era justamente esse o problema. Ah, e o fato de que eu deveria matá-lo. Bom, o Conselho nunca me disse quando. Também nem sei como, mas isso são detalhes. Não tenho coragem de jogar água benta e derreter esse rostinho lindo. Nem força para descer-lhe a estaca. E a última vez que tentei atacá-lo com alho, Zack teve uma crise de espirros hilária.
Ai meu Deus, estou muito ferrada.
– Então, Coringa, qual sua próxima armadilha? – ele provocou, sorrindo.
Suspirei. Já tentei convencê-lo que eu sou a mocinha, mas ele afirma que Batman só sai à noite, ama morcegos e vive de preto, o que me levou a pensar se Batman não seria um vampiro vegetariano do bem.
– Vou amarrá-lo no ponteiro de um relógio no alto de uma torre e deixá-lo deslizar suavemente para uma banheira de água benta enquanto um ratinho lentamente rói a corda que te amarra.
– Hum, isso pode levar a noite toda.
– Então o Sol te mata – dei de ombros –, mais fácil ainda.
– Eu tenho uma ideia melhor...
Ele me jogou no chão e deitou-se em cima de mim, apertando-me contra a grama.
Certo, querido, se você não me morder agora quem te morde sou eu!
– Eu não vou te morder, Jessi – ele murmurou como se adivinhando meus pensamentos, passeando os dedos pelos meus cabelos enquanto me mantinha segura pelo braço com a outra mão. – Você sabe que nem sempre mantenho o controle.
– É, nem eu.
– O que é mais difícil de controlar? Os vampiros ou seus hormônios?
– Ambos são páreo duro.
Enquanto eu lutava para não sair debaixo dos braços dele, algo afiado cortou a nossa conversa. Literalmente falando. Uma estaca cravou-se na árvore ao nosso lado, passando a centímetros do rosto de Zack.
Que desaforo! Zack é o vampiro que eu tenho que matar!
– Mas o que... – ele sibilou, pondo-se de pé.
Na hora em que me vi livre, praguejei e levantei, buscando meu frasco de água benta. Não para Zack, mas para o fura-olho que se intrometeu na nossa... conversa.
Foi então que senti a presença de outro vampiro. A presença surgia e voltava, como se estivesse correndo muito rápido. Ou num bungee jump.
Zack arregalou os olhos e sussurrou, tentando avistar por cima de meus ombros.
– Temos companhia... duas.
– Dois vampiros?
Ele fitou a estaca cravada no tronco com uma expressão de desdém.
– Não. Um é vampiro, e está muito ferido. O outro parece ter um poder estranho.
– Outro caçador! – murmurei alarmada, sabendo que caçadores de vampiro têm a vantagem de possuir o desenvolvimento de dons especiais.
Não considero meus dons especiais, mas ridículos: derreter metal, grito de mandrágora e teletransporte – esse seria bom se funcionasse quando eu quisesse. Quando estou nervosa as coisas somem – literalmente – e nunca sei para onde vão. Uma vez Zack sumiu e fiquei com medo de tê-lo mandado para o quinto dos infernos.
– Então tem outra galinha ciscando no meu terreiro... – murmurei, irritada.
Zack balançou a cabeça.
– Se continuar usando essas expressões do tempo da vovó, vão acabar descobrindo seu disfarce.
– Do tempo de que vovó? Da sua é que não é!
Nosso papo animado acabou sofrendo outra cortada. Desta vez uma flecha de madeira atravessou a estaca que antes estava travada na árvore, partindo-a em duas.
– Pontaria o cara tem – engasguei.
– Se tivesse mesmo teria me acertado. Mas acertar o próprio erro, essa foi fenomenal. Temos que nos preocupar com o vampiro.
– Você não disse que o cara está ferido? Não devíamos nos preocupar com o caçador saudável?
– Jessi, o vampiro perdeu muito sangue. Dá para sentir pelo cheiro. Isso quer dizer que ele vai estar desesperado por mais. Resumindo, o cara vai correr atrás de uma fonte fácil. O caçador com certeza não é. A rua está completamente deserta porque passa da meia-noite. Então...
– Então eu. Eu sou uma fonte fácil.
– Sempre foi – ele deu um sorriso animado. 
– Eu não quero mais brincar – apertei os dentes, para não deixá-los bater.
– Olha, prometo que quando isso acabar, vou te dar uma mordidinha hoje. De leve, tá?
Eu devia parecer ofendida, mas estava excitada e nervosa demais para poder transparecer qualquer outro tipo de emoção.
– Depois a gente conversa.
– Certo. Então você vai atrás do caçador e eu, atrás do vampiro. Qualquer problema, grite.
– Não tenha a menor dúvida.
Ele desapareceu como se fosse fumaça. Invejo muito essa habilidade que eles têm com essas saídas espetaculares. O máximo que consigo se correr muito rápido é quebrar meu salto novo.
Segurei firme meu spray de água benta e subitamente senti-me idiota. O caçador é vivo como eu. Não vai fazer efeito nenhum além de abençoá-lo.
Ajeitei minha saia e saí de perto da coitada da árvore, tentando manter o ritmo da respiração. O fato é que se ele é outro caçador do Conselho, nós somos companheiros de trabalho. Então podemos sair, falar mal do chefe – embora eu não saiba quem é – e tomar um cafezinho. Tudo sob controle.
Segui na direção de onde vieram as armas de madeira e avistei um vulto esconder-se por trás de um muro. Quando estava enchendo o peito para dar um grito e avisar “ei, sou amiga!”, uma nova estaca cruzou o espaço em minha direção, fazendo-me jogar o corpo na calçada. Então a primeira frase que saiu foi:
– EI, VOCÊ É IDIOTA?
De qualquer forma, surtiu efeito. O vulto esgueirou-se, andando lentamente para perto de mim, com uma besta apontada para minha cabeça. Para quem não sabe, besta é uma espécie de arma que dispara flechas, podendo também ser o tipo de pessoa que segura essa droga.        
– Quem é você? – a voz dele soou seca e fria.
– Sou uma caçadora de vampiros também, como você. Do Conselho. Quer abaixar esse troço?
Ele ergueu uma sobrancelha e desceu-a lentamente.
– Hum. Isso explica o cheiro de vampiro que está impregnado em você.
É, isso e o fato do vampiro em questão e eu termos dado uns amassos algumas horas antes.
Ele me ajudou a levantar. Era forte, cabelos castanhos escovados para trás e até que não era de se jogar fora. Vestia-se todo de preto, incluindo a jaqueta e a calça de couro. Um estilo meio exagerado, mas quem sou eu para discutir? Afinal combato vampiros usando salto. Prada.
– Pensei ter avistado... bem, não pode ser. Você já estaria morta.
– Q... quem?
– Bem, é um vampiro famoso. Você não o conheceria.
Arrogante. Ninguém é perfeito.
Só Zack.
– Zack.
– Hum? – assustei-me, achando que ele tivesse lido meus pensamentos.
– Esse é o nome do vampiro famoso. Mas o Conselho não deixa ninguém matá-lo. É perigoso demais. Se eu conseguisse, seria uma lenda.
Zack, perigoso? Só se for para as mulheres mesmo. Qualquer uma cai aos pés dele. Acho sinceramente que o chefe do Conselho é uma mulher que está na verdade querendo se vingar por ele ter lhe dado um fora. Mas se o chefe do Conselho for homem, é inveja grossa, totalmente justificável.
Foi então que algo estalou dentro de mim. Aquele cara estava caçando um vampiro ferido, esgueirando-se por aí, com Zack ao seu encalço. Se o caçador avistasse Zack, mudaria de alvo na mesma hora. Aah, não, de forma alguma. Não divido minha caça com ninguém.
– Bem, então... que acha da gente tomar um café, senhor...
– Blade.
Arrogante e convencido. Blade é um personagem caçador do qual esse aí não chegaria aos pés nem se passasse férias com o Rambo.
– Certo senhor Blade, que acha da gente tomar um café lá na universidade e descansar um pouquinho? Andei caçando também e estou um caco!
Ele me olhou como se eu tivesse acabado de arrancar as orelhas de um coelhinho com os dentes.
– Está louca? Nunca antes de terminar o serviço! Vampiros se recuperam depressa, você sabe.
Por incrível que pareça, sei coisas mais interessantes. Eles ficam lindos sem camisa, por exemplo. Tem delineador natural. Os olhos refletem a luz da lua de maneiras diferentes quando...
Ei, onde está o caçador?
Torci o pescoço para vê-lo pular um muro alto, dando um salto apenas. Que tipo de poderes aquele cara tinha? Como poderia avisar Zack sem que o cara me visse ou o visse?
Só havia uma maneira.
Mandando mensagem no celular. Que ótimo caçar um vampiro que acha a tecnologia divertida.
“Zack, o caçador se chama Blade e acabou de sumir de vista. Não quis tomar café comigo”
Digitei, tropeçando nas teclas e sentindo o suor descer gelado pelas minhas costas. A mensagem de resposta chegou segundos depois.
“Foi só isso que você descobriu? Caramba, Jéssica, o Conselho te contratou pelo quê? Tem certeza que leu as cláusulas do contrato direito? Abaixa!”
Ergui uma sobrancelha, irritada – até por celular esse vampiro me zoa – e apesar de estranhar a sutileza da mensagem, ajoelhei no chão, sentindo um golpe de ar passar pelos meus cabelos no momento exato em que agachei. O vampiro ferido passou a toda por cima de mim, sendo seguido por Zack.
– Jessi, você não deveria estar fazendo algo de útil?
Ele riu e pulou por cima de mim, jogando terra na minha roupa nova. Levantei-me praguejando e fechei os olhos para me concentrar.
A vantagem de ter pais caçadores é que a genética funciona bem, obrigada. Os poderes, apesar de serem imbecis, são por vezes úteis. Senti uma onda de poder emanar de dois pontos distintos. Uma forte se distanciando e uma mais fraca seguindo perto do muro. A mais fraca só podia ser do caçador, já que Zack é uma fonte ambulante de força – opa, calma hormônios – então segui para o leste, esperando interceptar o tal Blade.
  Depois de uns bons dez minutos, torcendo no meu íntimo para que Zack já tivesse dado cabo do vampiro, passei por um buraco no muro e já estava pronta para gritar “parado aí” e receber uma estaca bem no meio da testa quando recebi uma nova mensagem do celular.
“Onde você está?”
 Ergui a sobrancelha. Como meu vampiro muda rápido de ideia.
“Seguindo o caçador; não foi o que combinamos? Pegou o vampiro?”
Segundos depois, recebi a resposta.
“Mudança de planos. Vire à esquerda e siga em frente. Te encontro perto da casa na esquina.”
Metido. Por que eu tenho que ficar seguindo as orientações dele se, na verdade, ele devia temer a mim?
Porque este é o mundo real, Jéssica. 
Obedeci à mensagem e segui rumo à única casa que parecia saída de um filme estilo “Jogos Mortais”. Era escura, sinistra e deserta. Se eu não estivesse indo encontrar o homem mais lindo do mundo, estaria apavorada a esta altura.
– Psst!
Virei para o lado de onde estava saindo a voz e me deparei com Zack, parecendo mortalmente ferido.
– ZACK!!
Agachei-me ao lado dele, tentando observar melhor o tamanho do estrago. Era uma cavidade do tamanho de uma palma da mão no ombro, por onde escorria quase um rio de sangue.
– Minha nossa! Você não disse que esse vampiro seria mole de matar? Você já eliminou uma dezena deles; qual foi o problema em acabar com um que já estava semimorto? Certo, morto, mas quero dizer mortalmente ferido... ou imortalmente ferido? Esse jogo de palavras me cansa!
Ele levantou os olhos fracos para mim e senti um aperto no peito. Claro que qualquer um pensaria “olha que oportunidade você tem para matá-lo!”, mas ele ainda tem um belo par de olhos. 
– Acho que o subestimei... – a voz dele saía quase num fio. – Preciso do seu sangue...
Gelei. Zack sempre me dava mordidinhas, mas evitava tomar meu sangue de verdade porque dizia que talvez não fosse capaz de parar, principalmente depois de já ter experimentado uma vez. Mas e agora que se sentia tão fraco? Não era seu costume arriscar-se ou me arriscar dessa forma. E se o Conselho descobrisse (digamos, caso eu não morresse nessa brincadeira?) eu estaria suspensa, ou pior, despedida!
– Acha que é mesmo necessário? Quer dizer, você não pode estancar o sangue e esperar um pouquinho pela recuperação absurda que vocês têm?
Ele gemeu e ergueu-se, suspendendo-me firme pelos ombros.
– Não há tempo! Os dois estão atrás de mim!
Ele abraçou-me com intensidade e, antes de esperar pela minha resposta, cravou os dentes em meu pescoço. O ar faltou, assim como minha falta de determinação. Eu estava completamente entregue, como da última vez. Mas desta vez não foi como antes; ele me apertava com sofreguidão, sugando meu sangue como se fosse algo que havia esperado muito tempo. A maravilhosa sensação que tive antes, aquele êxtase presente na mordida dos vampiros, começou a esvair-se rápido. Não consegui empurrá-lo, mas estava começando a sentir fraqueza em minhas pernas. Meu frasco de água benta caiu das minhas mãos e tudo começou a rodar.
O que estava acontecendo? Zack já não se importava comigo para resolver eliminar-me para salvar sua vida? Eu não ia durar mais que alguns minutos, mas não consegui empurrá-lo. Minhas pernas começaram a falhar e ele me segurou firme, sem um instante sequer tirar os dentes da cavidade do meu pescoço.
Quando eu mal podia manter meus olhos abertos, vi dois Zacks me encarando. Na verdade, um tinha os olhos fechados, enquanto me secava, o outro tinha os olhos arregalados, com uma expressão de pavor na fronte linda. Este se agachou ao meu lado e em seguida escutei um grito e um chiado, ao mesmo tempo em que estava caindo ao chão. Senti um braço firme me segurar enquanto o rosto lindo do Zack que estava sugando meu sangue, começou a derreter se contorcendo num grito de uma criatura grotesca. De repente não era mais Zack, mas um ser que já estava deformado, loiro, olhos castanhos, magro.
– Caramba, safadinha – Zack falou, quase com um sussurro –, você costumava ser mais cuidadosa. Nunca consegue resistir ao meu rosto lindo, mesmo que não seja propriamente o meu?
Senti minha força voltar aos poucos e cambaleei nos braços dele, tentando firmar-me de pé. O que me atacara antes já não era mais Zack, mas pude perceber que era o vampiro que Zack estava perseguindo se desfazendo no chão, enquanto Zack continuava a apertar o spray de água benta para mantê-lo afastado.
– Como... Como ele sabia meu nome? – murmurei incrédula, sentindo-me idiota por ter sido enganada pelo poder de ilusão vampiresca.
– Ele disse seu nome?
– .... Hum, não – senti-me mais idiota ainda. – E por que você me mandou mensagem no celular pedindo para te encontrar aqui?
– Aah, isso me lembra o outro poder que esse vampiro tem.
Ele agachou-se e remexeu o bolso do cara, enquanto esse se desfazia, puxando de lá um celular.
– Dedos leves.
– E eu que não tomo cuidado com as minhas coisas, né? Como ele descobriu meu número? Você escreveu “safadinha - caçadora de vampiros” no meu número para ele supor que era eu?
– Na verdade sim. E segundo, ele deve ter ficado curioso ao me ver digitando mensagens enquanto corria atrás dele.
– Nem todo mundo consegue fazer essas coisas. Gente é atropelada. Pessoas são multadas quando usam o celular dirigindo.
Zack me abraçou forte e suspirou.
– Você só se mete em encrenca, nunca vi. Primeiro recebe a incumbência de matar o vampiro mais poderoso do mundo, ou seja, eu, depois é enganada por qualquer rostinho lindo.
Nem me dei ao trabalho de responder. Nunca tenho argumentos suficientes.
O vampiro que Zack seguia se desfez em cinzas. Subitamente uma estaca afiada passou por nós raspando, mas desta vez deixando um rastro sangrento no ombro de Zack antes de fincar-se na árvore à nossa frente. Meu vampiro deu um gemido agudo e jogou-se no chão, segurando a ferida com força. O caçador estava vindo, correndo para ver se havia acertado a presa. Eu não sabia o que fazer, mas percebia que não tinha mais como proteger Zack. Assim que o caçador o visse estaria tentado a eliminá-lo a qualquer custo. Então abaixei ao seu lado e imaginei Zack bem longe dali. Um lugar onde pudesse estar em segurança. Apertei seu braço e ele desapareceu. Meu poder funcionara certinho desta vez, mas tenho medo para onde posso tê-lo mandado.
– Onde ele está? Eu o acertei? – o caçador chegou sôfrego, com olhos arregalados.
– Sim, acertou! – eu respondi, sorrindo animada e apontei. – Foi bem a tempo, veja as cinzas!
Ele sorriu orgulhoso e então ergueu uma sobrancelha. A trajetória da estaca não coincidia com o lugar onde as cinzas do vampiro estavam posicionadas.
– Mas como...?
Dei de ombros.
– Você sabe... esses caras são cheios de truques.
O caçador assentiu.
– Bem, pensei ter avistado Zack novamente, mas só pode ter sido uma ilusão. Você estaria morta a esta altura.
Nossa, ele não poderia estar mais certo e mais errado ao mesmo tempo.
– Bem, recebi uma nova mensagem do Conselho. Preciso ir. Você ficará bem sozinha?
– Claro, oras. Sou caçadora, esqueceu?
Ele me olhou de cima a baixo, me analisando.
– Não, não esqueci. Por isso eu perguntei.
Antes de eu entender para poder retrucar, ele deu-me as costas e afastou-se. Com um sorriso sem graça – porque caçadores não têm o hábito de sorrir – acenou e seguiu seu caminho. Eu o acompanhei com o olhar, com um sorriso também amarelo e esperando o cara sumir de vista.
– Ai, meu Deus... – murmurei, preocupada – e agora, como acho o Zack?
– Em cima da árvore – veio a voz sexy dele, parecendo estar segurando a risada.
– Eu te mandei só pra cima da árvore? – eu arregalei os olhos e comecei a escalá-la, tentando não rasgar minha meia calça. Zack estava deitado em um galho longo e largo, segurando o ombro com uma das mãos. Ainda bem que a árvore era daquele tipo frondoso, porque se o caçador tivesse percebido sua presença... deve ter confundido com a presença do vampiro anterior.
– Por que te mandei só aqui pra cima? Eu costumava te mandar pra mais longe!
– Sem dúvida. Para o “raio que te parta”, para “o quinto dos infernos”... outros lugares que prefiro não dizer o nome... entretanto, você perdeu muito sangue e seu poder enfraqueceu. Mas deu tudo certo – ele tirou a mão do ombro, onde a ferida já começava a cicatrizar e sorriu –, ainda tem sangue. Quer dar uma lambidinha e virar vampira? Sua última chance!
– ECA.
Ele sorriu.
– Sabia que diria isso.
Eu me aconcheguei ao lado dele e Zack me abraçou forte, suspirando. Depois de alguns momentos em silêncio, Zack murmurou.
– Então o nome do cara era Blade?
– Sim.
– Cara, que pretensão!
Eu sorri animada.
– E não é?

Vivianne Fair


Pobre Jessi....rsrsrs

Comentários no Facebook
2 Comentários no Blogger

2 comentários:

  1. Oi, Vivi.
    Eu amo as histórias do Zack e da Jessi e foi uma delícia matar as saudades desses dois!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.