Conto 29 - A Caçadora

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Okaay, lembram da promo Vire um Conto

A Verônica Ramos venceu, e aqui vai o conto com ela!! Espero que goste, Ve!! :D


Conto da Caçadora com a vencedora do Vire um Conto – Veronica Ramos

Eu não vou dizer que foi culpa dele mesmo. Não vou. Mas foi. Essa morte nova que vai acontecer na universidade vai ser mais responsabilidade dele do que minha. Eu sei que tive uma parcelinha quando provoquei Zack, mas falemos sério. Qualquer coisa provoca esse cara. Um passarinho cantando em uma árvore é um desaforo explícito contra sua voz ou coisa assim.
Invadimos um covil repleto de vampiros. Bem, fui eu, mas foi sem querer. Minha mãe estava ao telefone e eu estava sem sinal. Uma coisa leva à outra e acabei por invadir o local tentando ouvir o que ela falava. Só lembro de ter escutado: “mas preste atenção aonde está indo; você se mete em várias confusões sem querer.”
Mães pressentem as coisas. Será que, quando eu for uma, serei assim? Eu ia adorar dizer para minha filha um dia: “Não se esqueça de tirar a chaleira do fogo porque a água já secou.” Quando observei ao meu redor, estava completamente cercada. Havia vampiros em todos os lugares, no teto, no chão, nas janelas, se possível até embaixo do tapete. Aparentemente estavam discutindo uma nova forma de matar Zack.
Eles me encararam e eu com toda a inteligência possível, declarei:
— Pessoal, se puder me dar alguma dica, seria ótimo! Sabe, eu também estou tentando matar Zack, já que sou uma caçadora de vamp...
Bati a mão na testa. Uau, Jessi, arrasa. Por que não pede logo para te matarem com requintes de crueldade?
Eles rosnaram e mostraram os caninos para mim em tom de ameaça e fúria. Dei de ombros. Faz parte da profissão. Seria mais assustador eles me convidarem para uma xícara de chá.
Saí correndo do prédio contando quantos passos eu conseguiria dar sem ser destroçada. Quando cheguei aos 20 passos me senti uma maratonista olímpica. Como consegui correr tanto antes? Foi então que me virei para trás. Gritos e urros dentro do prédio. E no fundo uma risada sexy e sarcástica.
Ah, claro. Zack. Sempre tentando aparecer.
Voltei para o galpão bem mais confiante.
— Ah, oi, Jessi. Estou matando a galera para você não precisar se preocupar.
— Eu estava dando conta de tudo sozinha, obrigada.
Alguns me olharam de rabo de olho.
— O que foi? Vocês nem vieram atrás de mim pra saber.
Ainda bem.
Zack facilmente e com golpes rápidos dizimou a população de vampiros do galpão; a única coisa que fiz foi me abanar das cinzas e dar gritinhos dizendo “aquele escapou” ou “cuidado! Em cima de você!” Mas eu mal acabava a frase e ele já tinha dado conta do recado. Senti-me meio ridícula.
Tudo acabou em questão de minutos. Zack nem suou. Nem sei se vampiros transpiram, ele não me dá a oportunidade de saber.
Olhamos ao redor e não havia nada. Entretanto, um grito ecoou do lado de fora me fazendo gelar.
— Se não podemos eliminá-lo, Redpath, vamos atacar dentro da sua amada universidade!
Arregalei os olhos para ele.
— Como descobriram que você estuda lá?
Ele deu um sorriso sem graça.
— Acho que mencionei uma ou duas vezes que ia mandar um convite da minha formatura.
Dei um tapa na testa. Dele, não na minha. Já estava doendo bastante com o último que dei.
— Vamos atrás dele! Se matar alguém de lá você vai ser o culpado!
Uma sombra passou por seus olhos. Definitivamente Zack não iria querer carregar mais essa culpa.
Meu vampiro disparou na frente – gente, o que custa me levar no colo? – e tive que correr para alcançá-lo. Não foi nada fácil considerando que eu estava de salto, embora não estivesse fugindo de nenhum tiranossauro.
Passei por Johnny, o porteiro, que me acenou, fazendo o sinal que combinamos quando Zack estivesse por perto. Ele deve achar que sou uma desesperada.
Bem, eu sou, mas este não era precisamente o motivo.
Zack correu pelo jardim e eu fiquei olhando para as janelas acesas. Nisso, vi um vulto entrar por uma delas; me pareceu ser algo grande e negro. Um morcego, só podia ser. Contei as janelas – quarto andar.
Subi as escadas com a máxima velocidade que uma mulher sem academia consegue e cheguei ao final do corredor arfando. Bati na porta tentando não parecer que a pessoa que estava lá dentro estivesse em perigo.
Uma menina abriu a porta. Digo “menina” porque aparentava ser bem jovem – tanto que cheguei a cogitar ser uma vampira, mas ao falar percebi que era mais velha. Usava aparelho, era um pouco mais baixa do que eu e as pontas do cabelo eram enroladas e com pontas meio loiras tipo cobre.
Amei, vou perguntar a marca da tinta depois que sairmos vivas dessa.
— Pois não?
Olhei ao redor do quarto. Vi que ela era como as otakus, já que havia DVDs de anime e mangás espalhados por toda a parte, com alguns livros do Rick Riordan meio gastos de tanto serem lidos jogados por toda a cama.
— É... hã...
Ela fez uma expressão meio séria para mim.
— Bom, você tem algo a me dizer ou só veio vasculhar meu quarto?
— Seria ótimo se não se importa.
Ela pareceu meio irritada.
— Você é doida?
— Hã, sim, sou. E você tem que fazer todas as minhas vontades porque o médico avisou que...
Bateu a porta na minha cara.
Justo. Eu teria feito o mesmo.
Tornei a chamá-la. A garota apareceu outra vez revirando os olhos.
— O que você quer?
— É... meu nome é Jéssica. Qual o seu?
— Verônica.
— Acho que algo entrou em seu quarto e me senti na obrigação de te ajudar.
Ela pareceu meio desconfiada.
— Algo tipo o quê? Não vi nada.  
— Uma barata voadora. Enorme. Precisava vir te ajudar.
Ela arregalou os olhos e sufocou um grito. Eu a abracei.
— Eu sei! Não se preocupe! Só sairei daqui quando matá-la!
Verônica abriu a porta para mim e começamos a virar o quarto de ponta cabeça.
Bem, não seria muito diferente do jeito que estava agora; eu diria que agora o estávamos arrumando.
Nisso, Zack pula para o quarto pela janela. Demos um grito que morreu na garganta. Não era outro inseto asqueroso – ou um morcego sanguessuga – era só um cara sexy de preto e olhos sedutores. Nada que valesse outro escândalo.
— Jessi, você já a avisou sobre o vampiro?
Dei outro tapa na minha testa. Tenho que mudar de tática; essa mania vai me deixar com marcas.
— Vampiro? — Verônica arregalou os olhos — Do que está falando?
— Um vampiro entrou aqui. O que fez com que ficasse tão pálida assim?
Ela olhou para mim com ares de inquisidora.
— Por que não me disse que era um vampiro? Quase passei mal imaginando que uma barata voadora estivesse passeando em meus livros!
Uma otaku, claro. Eu devia ter imaginado.
— Desculpe por tentar te poupar. Bem, venha, vamos sair daqui! — estiquei minha mão — Por aqui!
Ela ficou parada olhando ora para mim ora para Zack.
— Se não se incomoda, prefiro ir com ele.
Esperta. Eu também.
Zack deu de ombros.
— Perdoe meu charme, Jessi.
— E como pretende sair com nós duas daqui, charmoso?
— Com as duas? Que isso, Jessi! Você consegue se virar, não?
Ele a colocou no colo e pulou pela janela.
Vou espalhar cinzas por toda a parte essa noite. As dele.
Virei-me para sair do quarto correndo, mas o vampiro inimigo instantaneamente se transformou na minha frente.
— Você é a caçadora de vampiros que ouvi falar.
— Uau, jura?
Ele teve a decência de parecer desconcertado.
— Bem, ouvi dizer que você é a humana mais incompetente do Conselho.
Soei mais amarga do que queria.
— Nossa, quem te perguntou?
— Você.
— Vamos ver se sou tão inútil assim, não é mesmo? — puxei um frasco de spray de água benta do meu cinto e esborrifei nele o mais rápido que consegui.
Consegui feri-lo o suficiente para conseguir me desviar e sair do quarto. Ele praguejou e pude sentir a sua respiração enquanto corria pelo corredor.
— Jessi, abaixe-se!
Obedeci a voz, sem saber que era Zack. Ele havia dado a volta e entrado pela porta no fim do corredor. Com uma estaca voadora, acertou meu atacante de relance. Este se desviou bem a tempo e mudou o rumo, correndo para a janela perto do quarto da garota. Não consegui alcançá-lo.
Falemos sério; nem tentei.
— Onde está a Verônica?
— A menina? Deixei lá no jardim, em segurança.
— O que é segurança para você, Zack?
Ele refletiu alguns segundos.
— Deixou a coitada no alto da árvore?
— Você também não ajuda. O que mais queria que eu fizesse? Te deixasse lidar com o vampiro?
Cocei a cabeça. Eu entendo, mas por que tudo o que ele considerava seguro era no alto? Vampiros voam!
Corremos feito loucos para o jardim. Desta vez ele teve a decência de me pegar no colo também, mas estragou tudo me chamando de lesma debaixo d’água.
Quando chegamos do lado de fora, nervosos por talvez ser tarde demais, Verônica sorria em meio às cinzas, acompanhada por ninguém menos que Sofia, minha outra amiga otaku.
— O que vocês...? — gaguejei quando cheguei perto delas, eufórica e com o coração na mão —  Como vocês...?
— Ela me salvou — apontou Verônica para a que supostamente era sua nova amiga.
— C-como você conseguiu acertar um vampiro tão poderoso?
Sofia me mostrou uma besta de madeira que estava em sua mão.
— Eu assisti Hellsing e resolvi comprar uma dessas para mim pela internet. Achei que estava só acertando um morcego inocente, mas era um vampiro. Que sorte, né?
Eu olhei para Zack e percebi que ele estava tão chocado quanto eu.
— Você quer ver anime lá em casa, Vê? — perguntou Sofia para a nova amiga, visto que tinha até criado um apelido para ela.
— Claro! Vou levar minha coleção de DVDs!
Zack virou para mim e deu um meio sorriso.
— Uau, Jessi! Não quer perguntar para o Conselho se eles querem uma caçadora competente para variar?
— Manda ela te matar então, seu peste.
Ele me deu um beijo na bochecha e me puxou para assistir uma maratona de animes no quarto das otakus.
Agora sim seria uma longa noite.

Vivianne Fair 


Você é engraçada, Verônica! hahaha! 




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Um comentário:

  1. Que demais, Vi.
    O conto ficou ótimo!!!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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