Conto 10 - a Caçadora

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mais um! A Gripe mortal...hahahaha

Conto 10 - a Gripe mortal
Jessi e Zack – a caçadora
autora: Vivianne Fair


Vou acabar desidratada desse jeito. Isso é que dá dormir de janela aberta. Bom, não que eu tenha culpa; Zack simplesmente abre a janela toda a noite, por mais que eu a feche, tranque, passe cadeado e ainda cole o batente com cuspe.
Estou fungando e com garganta inflamada. Meu nariz está vermelho feito o do Bozo e a tontura é constante. Gripe maldita! Como se não bastasse todo esse mal estar ainda fico parecendo um zumbi.
E tenho horror a zumbi. Tipo... eles comem cérebro. ECA. Claro, beber sangue também é nojento, mas pelo menos quem suga costuma ser uma gracinha.
–  Boa noite, safadinha! Pronta para passar mais um dia tentando matar o vampiro pelo qual você é perdidamente apaixonada?
Embora nem todos eles façam gracinha. Só esse idiota.
Gato, lindo, sexy, gostoso, mas adora bancar o babaca comigo.
Minha resposta foi um espirro acompanhado de uma fungada.
Ele entrou no quarto, arregalou os olhos para a quantidade de lenço de papel jogada na cama – ai, sempre esqueço que apesar de morar sozinha no quarto, eu nunca estou completamente sozinha – e deu um passo em minha direção. Instintivamente me retraí; não tanto por ter medo de contaminá-lo – quer dizer, acho que os virus que os vampiros pegam já estão naturalmente mortos – mas mais porque eu estava horrorosa. Pálida, descabelada, fungando, nariz vermelho e com olhos inchados. Quer dizer, não passo tanto tempo em salão de beleza para que alguém tenha a audácia de me ver assim, não é?
– O que você tem? Estava lendo algo feito “A menina que roubava livros”? Porque, sério, se você estiver chorando por causa daquele feioso purpurinado do Edward, eu...
Outra fungada.
– Figa guieto! Dão cobeça a falar de Grebúsculo gue...
Tampei a boca. Aí já é demais. O universo conspira contra mim, é isso. Estou arruinada. Agora sim que ele vai me zoar.
– Jessi... você está doente?
– Vai dirar sarro de uba boribunda agora?
Ele deu um passo para trás, lívido feito cera. Digo, mais.
– Como você... como você ficou doente? É grave? Você vai morrer?
Revirei os olhos. Esse vampiro nunca viu uma simples gripe não?
– Dão, Zack. É só uba gribe. E a gulpa é zua, por figar abrindo a janela e...
Ele subitamente tampou minha boca. Eu tomei um susto daqueles e quase caí para trás, mas ele me pegou no colo e me tacou na cama.
Assim... OI?
– Você está péssima! Como ficou desse jeito? Vou ligar pro médico! E para o diretor da universidade! Que tipo de lugar é esse que fornece tantas correntes de ar? Aah, vou ligar para Johnny, o porteiro! Ele deve saber o que fazer. Ele é porteiro, ora bolas! Sabe tudo.
– Vozê esdá ouvindo o gue vozê esdá falando? Izo é ridígulo!
– Não, ridículo é como você está falando! A sua sorte é que sou um vampiro que vê além da beleza, porque senão já teria saído correndo – taquei-lhe o meu travesseiro e ele desviou enquanto discava no meu celular ­– Alô? Seu diretor? Que droga de universidade é essa que não percebe uma aluna em estado grave de saúde? Seu irresponsável! Deixa o pai da Jéssica, o EMBAIXADOR saber disso!
Eu engoli em seco. Zack sabe que minha identidade de filha do embaixador é só fachada! Isso é jeito de falar com o diretor da universidade que eu supostamente devo passar despercebida? Tentei tomar o telefone dele, mas Zack me empurrou de volta pra cama.
– É, isso mesmo! Vou notificá-lo! – e desligou.
Eu corri novamente para tomar meu celular, mas Zack desviou-se outra vez e deu- me outro empurrão. Fraca do jeito que estava, nem ofereci resistência.
– Você é um doende mendal! – ataquei – O diredor vai ligar bro beu bai!
– Nossa, preciso de um intérprete aqui. Duende mental? O que é um duende mental? Aliás, se levantar de novo dessa cama vou amarrá-la nela.
Eu sei que ele não teve a intenção de provocar arrepios indesejáveis em mim, mas meus hormônios não são afetados pela gripe.
Ele discou de novo.
– Meninas?
Ai, não, as otakus! Minha sinusite está de matar e eu não ia aguentar novas sessões de anime!
– Venham pra cá rápido! Jessi está morrendo!
Eu arregalei os olhos. Que cara mais exagerado! Parece que nunca ficou doente!
– Ora, essa! Claro que não tenho nada a ver com isso! Ela não está sangrando, está se dissolvendo em muco. Eu diria que o cerébro inteiro dela está escorrendo pelo nariz!
– Ora, zeu...!!
Eu voei no pescoço dele, pronta para cravar-lhe as unhas. Daí comecei a bater, a arranhar, a dar golpes de direita e ele nem se abalou. Quando enfiei-lhe a mordida levada pelo desespero ele tampou o bocal do celular e sussurrou:
– Querida, só eu sei fazer isso direito. Você sabe, morder. Agora fica quietinha, está bem? Assim não consigo falar direito.
Suspirei, vencida pelo cansaço. O que mais eu podia fazer?
A sessão de telefonemas de Zack continuou por um longo tempo. Depois meu telefone do quarto começou a tocar, com pessoas perguntando de todos os lados se eu tinha pego uma pneumonia ou coisa assim. Daqui a pouco iam me perguntar para onde deveriam levar as flores para o meu velório.
Quando a sessão de “vamos-fazer-jessi-pagar-mico” terminou, eu sentei na cama fitando-o de rabo de olho. Ele deu um meio sorriso e sentou-se na cadeira em frente à minha escrivaninha para começar a digitar no meu laptop.
– Vozê é um folgado! Já dão basdava be hubilhar...Gue você dá fazendo??
– Mandando e-mail pra sua mãe. Talvez ela tenha alguma dessas receitas caseiras humanas ridículas que te façam melhor. Sei lá, suco de cebola com gengibre, mel e alface cortada com pimenta do reino.
– Eca. Dão, zério, o gue vozê esdá fazendo?
– Já disse, mandando e-mail pra sua mãe. “Cara dona mãe da Jessi...” Como é mesmo o nome dela?
Puxei o fio do meu laptop da tomada. Sei que isso não faz bem para o pobre coitado, mas ele já tão acostumado a levar surra de cavalo de tróia que nem deve ter se incomodado.
– Esguta, idiota. Dão envolve beus pais nizo, mesmo porguê eles matariam vozê. Zão cazadores de vambiros, lembra? Zegundo, é zó uma gribe. Zó breciso de bel com limão.
– Só isso? Mel com limão? Volto já! Receba bem as visitas.
Então ele pulou a janela e desapareceu na escuridão.
Visitas? Do que raios ele estava falando?
Foi então que a tortura começou. Primeiro foi o diretor, estupidamente preocupado, com um lenço amarrotado sendo esfregando na cara toda, trazendo, junto com a servente, um coquetel interminável de remédios. Depois as otakus apareceram com uma coleção de DVDs de anime, um prato de sopa que só Deus sabe como fizeram sem nenhum tipo de aparato de cozinha no quarto – só depois me lembrei que Bobby tem um miniforno embaixo da cama para eventuais sessões de miojo, quer dizer, ‘yakisoba caseiro’­– e um monte de mangás que só elas mesmas davam conta de ler. Em seguida Johnny, o porteiro, apareceu com uma bebida caseira que eu não tive coragem de perguntar como é feita. Só senti gosto de gengibre. Mais tarde ainda vieram algumas enfermeiras para tirar minha pressão, injetar drogas na minha veia e alguns professores, que dadas as circunstâncias de ver tanta gente no quarto me dispensaram dos deveres daquela semana.
Certo, dessa parte eu não quero reclamar. Quase tentei me forçar a parecer pior; quem sabe poderiam me liberar das provas no mês que vem também?
Meu quarto estava mais lotado que saguão de aeroporto em época de furacão. Sorri e tentei não assoar o nariz o máximo que pude, mas espirrava sem parar e finalmente comecei a agradecer as visitas e tentar explicar que estava bem melhor.
– Gende, obrigada, bela úldima vez. Agora deixa eu dorbir borgue vozês já guerem ir embora.
Pra deixar bem claro também coloquei uma vassoura atrás da porta. Espero realmente que eles entendam esses gestos antigos que dizem ‘você já não é mais bem vindo aqui’.
De uma certa forma deve ter funcionado, mas mais pela minha cara de que ia explodir em muco a qualquer momento do que por qualquer outra coisa. Quando finalmente a movimentação acabou e todos saíram e os telefonemas cessaram, me atirei na cama pensando em como matar um vampiro com o maior grau de crueldade possível.
Ia espirrar na cara dele. Antes ia tomar um bom gole de água benta.
Foi quando notei a sombra no chão do quarto. Ele estava sentado na janela, concentrado, espremendo um limão numa colher de sopa cheia de mel.
Estava a ponto de xingá-lo, mandá-lo tomar um rumo que não é legal falar em voz alta quando notei uma sombra de preocupação genuína passando por sua face. Comecei a refletir.
Talvez ele não tenha feito isso tudo para me humilhar. Talvez seja a melhor forma que ele teve para mostrar que se importa.
Ele aproximou-se, tomando cuidado para não deixar o mel respingar no chão e nem percebeu que eu o fitava atentamente.
– Pronto. Agora abre a boca e diga “aaaaaahhh” mas tenta não babar em mim.
Eu abri a boca e tomei o mel encarando-o nos olhos. Engoli o remédio caseiro e suspirei aliviada quando vi que minha garganta já tinha dado uma desobstruída, deixando a voz menos anasalada.
– Zack, você fez isso porque já perdeu muitas pessoas que amavam vítimas de doenças, não é?
Ele se retesou por um instante, os ombros ficaram rígidos.
– Não é mais assim, Zack... a medicina evoluiu muito...
– Você... os seres humanos são muito frágeis – ele respondeu com um sussurro e virou o rosto.
Eu toquei-lhe a face.
– Bem, não é uma gripe que vai derrubar a caçadora mais gata de todos os tempos. Acha que vai se livrar de mim assim fácil, é? Nós ainda temos contas a acertar.
Ele se permitiu um meio sorriso. Fitou-me por um tempo, mas não desviei o olhar. Até que ele quebrou o momento quando eu dei um suspiro tímido.
– Eca, você não vai me beijar não, né? Posso ser um vampiro e estar imune a vírus e essas coisas, mas você não tá lá tão apresentável assim...
Eu só não soltei fogo pelas ventas porque ele podia sair com muco junto.
– Caia fora deste quarto, cretino! E vê se me deixa dormir hoje!
– Tá! Você vai estar boa amanhã?
– VOU.
– Então tá! Amanhã eu passo aqui trazendo mais porcaria medicinal.
Ele pulou a janela e suspirei. Ele sempre estraga tudo, mas eu também não estava esperando um momento romântico com o nariz vermelho feito um palhaço de circo.
A noite foi pesada, mas acordei nova em folha, sem fungar e sem espirrar. Teria sido todas aquelas drogas medicinais ou o carinho de Zack com aquele mel e limão?
Eu tive tempo pra pensar. O dia passou em silêncio. Silêncio até demais.
Liguei para as meninas, mas estavam todas de cama. Gripe.
Saí do quarto, circulei pela universidade, sem encontrar viva alma. Ao passar pela sala dos professores encontrei-a trancada com um aviso que dizia: “Não haverá aula hoje por motivo de doença.” Todos doentes?
Então me dei conta de que eu simplesmente tinha espalhado o vírus pela universidade sem querer. Bom, ninguém foi convidado ao meu quarto, certo?
Jéssica, a caçadora, ataca de novo! Pena que não foi nenhum vampiro que atingi. Ô orgulho do Conselho!
Causei uma epidemia, mas quer saber? Estou que nem cavalo de desfile: cagando, andando e sendo aplaudida.
Voltei ao quarto, tomei um Tylenol e um Resfenol para garantir e deitei na cama. Fechei os olhos e quando os abri já estava escurecendo. Ouvi a janela sendo aberta e só estiquei o olho para ver Zack entrando carregando uma garrafa de mel e meio quilo de limão no braço. Não adianta, isso nunca vai parar, né? É um círculo vicioso; eu não o mato e ele continua voltando.
Haha, círculo vicioso. Mesmo anestesiada continuo hilária.




                                                                                       Vivianne Fair

Zack é bão bonzinho...huhuhu

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25 comentários:

  1. Tenho certeza q esse é tão bom quanto os outros(nossa o twitter é realmente eficiente li sua postagem e corri para baixar o conto ^^)

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  2. kkkkkk!!! muito legal.... ate que enfim que essa mulher ficou doente
    bem que o Zack gostou de cuidar dela....^^ quem não queria um assim pra ser cuidada... desculpa Jessi mais e verdade XD

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  3. obaaa mais um conto!
    eu amo todos eles ♥

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  4. Kiky: hahaha, o que não faz twitter, hein? XD

    Quet: como assim até que enfim?? hahaha! A coitada não é uma rocha!! =p Não é? Ela que não admite! hehe

    Anne: Que boom! Espero que goste! =D

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  5. ADOREI! Li todos os outros semana passada, mas este foi o melhor. Ain, como o Zack é fofo!

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  6. kkkk ameei supeer fofo, o Zack é maraa todo lindo cuidando da Jessi *--*
    Mas como sempre quebrando o clima..Mais bem q ele queria dar umas bitoquinhas na Jessi heheheheehe
    Perfeito Vivi o melhor de toodoos <3

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  7. Ainda bem que eu te add. no twitter, se não nunca teria visto o aviso pra esses contos maravilhosos! Cara, você escreve mais do que incrivelmente bem! Eu estou apaixonada pelo Zack, sou fã da Jessi e mal posso esperar pra comprar o livro!!!

    Mil Beijos,
    Irine (Yami_no_Hime).

    PS: Sei como a Jesse se sente em relação aos super otakus. XD

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  8. Já estou baixando e vou aproveitar o feriado para ler todos. ;D
    Aliás, te linkei no meu site: www.aleitora.com.br/blogosfera :D

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  9. ai adorei o conto, um dos melhores que vc ja fez,no começo da historia achei que a jesse tinha pegada gripe suina..rsrsr

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  10. Eu achei muiito fofo *-* é tão tão.. quem dera eu no lugar da Jessi

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  11. AAAAAAAAAAAAAAAAH *-*
    adorei esse conto! quero que ac me dê mel com limão tambem kkkkk
    muito fofo ele e coitada da jessi hehe.

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  12. Aaawww, fico tão feliz quando gostaaam! =) Vocês acaharam mesmo o melhor de todos?? Puxa... que bommm! =D Significa que estou melhorando, não piorando!! hahaha! Awww, obrigada, Yami!! hauhaua, otakus são fogo..=p
    Obrigada a todas! =D

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  13. Que amoroso!!! Mas falando a sério, por muita pena que eu tenha da Jessi, eu sou como o Zack. Sou amiga do meu amigo, e sério, eu adoro fazer os outros rir, ou irritá-los profundamente. Mesmo em situações em que provávelmente ninguem quer rir, eu vou ao contra e faço exactamente isso, e ponho todos à gargalhada. Mas quando se trata de tratar dos amigos eu estou lá... E para contagiar a escola toda :P
    Jokas AMB

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  14. Hahaha, viu? Pois é, quando eu fico sem graça, nervosa, preocupada sempre solto uma piadinha também...eu acho que faria a mesma coisa que o zack! haha! É isso que importa, né? ^^

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  15. Maravilhosamente hilário e fofo, Vivi! Esse, com toda certeza, é um dos melhores contos que você já fez!! Amei! *w*

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  16. Ai que fofooooo *_*
    O Zack não é lindo? Tudo bem ele cortou o clima e tals, mas não deixou de ser megafofo! Menina e que virus potente foi esse?! Tinha q ser a Jessi! kkk
    Adorei!!!

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  17. AMEI!!!!
    Quase morro de rir aqui...
    Mas eh muito fofo mesmo o Zack cuidando dela...ai o pior eh q semana passada eu tava igualzinha a ela, queria um Zack pra cuidar de mim assim... (tah chega de frescura ¬¬')
    Parabéns pelo conto Vivi, divertido como sempre.

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  18. Claudia: haha, ele corta o clima mesmo! bobo! Verdade...o virus dela deixou a universidade inteira de cama! hauhauaa!!

    Aninha: sério? Ah, tadinhal...;/ me inspirei nas pessoas que tavam doentes ao meu redor..hehe!! Obrigadaa!! ;)

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  19. OIII! Eu não estou conseguindo fazer o download desse! O que pode ter acontecido, você sabe?! Beijooos! Estou adorando os contos!!

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  20. Uá, Laura! Eu consegui! Tem certeza que clicou no lugar certo? ;/ Me manda um email pra eu te mandar então! =**

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  21. Gosto muito quando o Zack apronta com a Jessi e gosto muito mais quando ele mostra que gosta dela.Zack fofo.

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  22. OOONNNNWWWWWWW, Zack e sua fofura, se bem que eu tinha batido por ter dito "Eca"
    U.U

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